O panorama do Reiki no Ocidente sofreu uma transformação significativa após o falecimento da Sra. Hawayo Takata em 11 de dezembro de 1980. A partir desse marco, a divergência de visões sobre a prática e o custo do ensino impulsionou a ramificação do Reiki Tradicional em diversas linhagens, buscando maior acessibilidade e adaptabilidade.
I. A Divisão do Reiki Tradicional Pós-Takata
Com a morte de Takata, o Reiki herdado da linhagem Mikao Usui \ Chujiro Hayashi passou por um processo de fragmentação, gerando diferentes escolas e associações:
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Reiki Tradicional (Ramo Principal): Liderado por Phyllis Furumoto, neta e sucessora de Takata, e posteriormente pela Reiki Alliance (liderada por Paul Mitchell e Lee Phyllis Furumoto) e pela American International Reiki Association (liderada pela Dra. Barbara Weber Ray). Estes grupos enfatizavam a comprovação rigorosa da linhagem direta (Usui – Hayashi – Takata).
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O Início da Rutura: A aluna de Takata, Iris Ishikuro, foi uma das primeiras a contestar os preços proibitivos exigidos para o ensino, começando a ministrar Reiki a valores muito mais acessíveis. Ishikuro também introduziu práticas tibetanas, marcando um grande impacto na ramificação e na abertura da técnica.
A rigidez e os altos valores praticados pela escola de Reiki Tradicional geraram um descontentamento entre os mestres formados, sendo o principal catalisador para a proliferação de novas linhagens.
II. O Testemunho de Diane Stein e a Universalização do Reiki
A experiência da autora Diane Stein, relatada no seu livro, ilustra o movimento de desmistificação e democratização do Reiki, que via a necessidade de o tornar um "sistema de cura universal".
A. O Obstáculo do Preço
Stein, após descobrir o Reiki em 1987, deparou-se com os valores estabelecidos pela linhagem Tradicional: US$150 para o Nível I, US$600 para o Nível II e impressionantes US$10.000 para o Nível Mestre (Reiki III), sendo este último raramente concedido.
B. A Iniciação Não-Tradicional
Motivada pelo desejo de ensinar e curar, Stein recebeu a Sua iniciação:
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Reiki I: Recebido em 1988, de um amigo que ainda possuía apenas o Nível II, e não o de Mestre, provando que o processo iniciatório funcionou eficazmente e aumentou drasticamente a Sua capacidade de canalizar energia.
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Reiki II e III (Não-Tradicional): Recebeu o Reiki II de uma Mestra que também contestava os altos custos, e o Reiki III sentada à mesa de jantar, de uma amiga que "não tinha tempo para ensinar", mas podia transmitir a iniciação.
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A Confrontação: Uma Mestra Tradicional criticou Stein por não seguir o método canónico (como permitir que alunos assistissem às iniciações), afirmando que qualquer mudança descaracterizaria o Reiki. Stein discordou, preferindo manter os Seus métodos que eram "altamente eficazes".
C. A Filosofia da Acessibilidade
A conclusão de Stein reflete a filosofia que impulsionou o Reiki Essencial e outras linhagens modernas: o sistema deve estar disponível a todos, independentemente da capacidade de pagamento.
"Eu soube naquele momento que eu queria ensinar o Reiki... Este magnifico sistema de cura deve estar disponível a todos, independentemente de poderem pagar ou não pelos ensinamentos."
Stein optou por não ter o Certificado Tradicional oficial, oferecendo aos Seus alunos um Certificado de Reiki não tradicional, com a convicção de que a eficácia do ensino não se perde. A Sua ética pedia preços baixos e bolsas de estudo, promovendo a desmistificação de um sistema que se pretendia ser universal.
Esta postura eclética e de maior acessibilidade não só permitiu a adoção do Reiki por diversas comunidades (incluindo ordens religiosas cristãs como os Jesuítas) como também estabeleceu a base para o desenvolvimento de várias linhagens adaptadas às necessidades do Ocidente.
